Autoras femininas de Euclides da Cunha ganham destaque na Bienal do Livro Bahia 2026

A força da mulher euclidense ecoa em um dos maiores eventos literários do estado. As autoras Débora Brito e Viviane Pereira estão entre os nomes que representam Euclides da Cunha na Bienal do Livro da Bahia 2026, realizada em Salvador. Com trajetórias distintas, mas igualmente marcadas pelo compromisso com a transformação social, ambas levam ao público obras que dialogam com realidades contemporâneas e reafirmam o protagonismo feminino no cenário literário.

Com uma história construída em Euclides da Cunha ao longo de 17 anos de atuação como servidora pública, Débora Brito apresenta ao público o livro “Ser mulher é nossa essência, mas não nossa sentença”, lançado em 14 de março de 2026 na Casa da Mulher Brasileira. A obra coletiva, inserida no campo do desenvolvimento pessoal e profissional, integra o Projeto Pare & Escreva, idealizado pela professora Daiana Paixão. No capítulo “Quando o amor próprio vira revolução”, Débora propõe uma reflexão sobre autoestima e posicionamento feminino, defendendo que reconhecer o próprio valor é um ato transformador.

Segundo Débora, representar o município em um evento dessa magnitude é uma forma de reconhecimento mútuo. “É uma relação de pertencimento construída na vivência, na dedicação e nos vínculos criados ao longo do tempo”, reforça. Sua presença no evento amplia a visibilidade de cidades do interior em grandes espaços culturais e reforça uma mensagem importante: talentos fora dos grandes centros também produzem conteúdos relevantes, potentes e dignos de destaque. Mais do que isso, inspira outras mulheres da região a romperem barreiras históricas sejam elas geográficas ou simbólicas.

Também representando Euclides da Cunha, a professora Viviane Pereira leva à Bienal uma abordagem contemporânea e urgente: o impacto das redes sociais na democracia. Com formação em Crítica Cultural pela UNEB, Viviane é autora do livro “Algoritmos, fake news e pós-verdade”, resultado de dois anos e meio de pesquisa. A obra analisa como algoritmos e estruturas digitais influenciam comportamentos, alimentam desinformação e moldam decisões de forma muitas vezes invisível.

Segundo a autora, a motivação para escrever surgiu da necessidade de tornar acessível um debate que, por muito tempo, ficou restrito ao meio acadêmico. “Meu objetivo é estimular uma postura vigilante, crítica e emocionalmente consciente diante do que consumimos na internet”, destaca ela. Viviane também ressalta o papel simbólico de sua participação no evento. Professora do CETEP Sertão Forte, ela carrega consigo não apenas uma conquista individual, mas a força de uma comunidade educacional comprometida com o conhecimento. Sua presença rompe estigmas e reforça que a produção científica e o pensamento crítico não pertencem apenas aos grandes centros.

Ela também chama atenção para o papel das chamadas “pegadas digitais”: “Hoje, nossas emoções podem ser estimuladas a partir de dados que fornecemos sem perceber. Esses dados são comprados e utilizados para nos direcionar conteúdos — muitas vezes desinformação — que impactam diretamente a forma como pensamos e agimos.”
Segundo Viviane, a proposta do livro vai além da denúncia:
“Não se trata apenas de entender o problema, mas de desenvolver uma postura crítica. Precisamos aprender a questionar, duvidar e refletir antes de consumir e compartilhar qualquer conteúdo” destaca.

A edição 2026 da Bienal do Livro Bahia começou nesta quarta-feira (15), no Centro de Convenções Salvador, com expectativa de receber mais de 120 mil visitantes até o dia 21 de abril. Com mais de 100 horas de programação, a Bienal traz como tema a identidade baiana e reúne uma curadoria formada exclusivamente por profissionais locais. O evento conta com a participação de nomes de destaque da literatura, como Julia Quinn, Ailton Krenak, Itamar Vieira Júnior, Pilar del Río, Raphael Montes, Aline Bei e Socorro Acioli.