
O Centro Territorial de Educação Profissional Sertão Forte (CETEP Sertão Forte) realizou, nos dias 20 e 21 de outubro, a 3ª edição da FECEJ, a Feira de Ciência, Empreendedorismo e Conhecimentos Jurídicos. Com o tema “Tecnologias, justiça social e soberania alimentar”, o evento ocupou os espaços da própria escola e mostrou, na prática, a criatividade e o protagonismo dos estudantes.

Uma das grandes novidades desta edição foi o Banforte, banco simulado montado e operado pelos próprios alunos e professores da instituição. A estrutura tinha setor de câmbio, computadores e cartazes com a cotação da moeda local, o Nica, reproduzindo a rotina de uma instituição financeira. Os visitantes passavam pelo balcão, conversavam com os jovens atendentes e trocavam seus recursos por cédulas ilustradas com um tatu, animal símbolo da caatinga, que deram identidade própria ao projeto. Além de explicar conceitos, a iniciativa levou educação financeira para o campo da vivência, tanto que as negociações sobre os produtos expostos pelos estudantes ocorriam com o Nica.
O espírito empreendedor também esteve nas bancas de alimentos, que funcionaram como pequenos negócios, cada uma com nome, identidade visual, cardápio e decoração. Brigadeiros, mousse de acerola, mousse de umbu, docinho de macaxeira com coco e rapadura, geleias, cremes e bolos, além de e uma gama gustativa, mostraram o potencial dos ingredientes da região. Flyers, rótulos e até QR codes revelaram o cuidado dos estudantes com a apresentação dos produtos e da marca. Cada equipe apostou em receitas próprias, com novidades criadas a partir dos sabores do sertão.

Na linha da sustentabilidade, o projeto “Coco e Vida” reaproveitou as cascas internas de coco como vasos, suportes e peças decorativas, em um ambiente ornamentado com plantas e uma palmeira de papel. Houve ainda sabonetes de aloe vera, estudos sobre pigmentos naturais e uma exposição de cerâmica e barro, em que uma artesã modelava peças ao vivo diante do público, valorizando saberes tradicionais e a relação com o território.
Maquetes de igrejas, casarões e paisagens locais, feitas à mão, destacaram o olhar dos estudantes para a história e o patrimônio da região. Na biblioteca, painéis e dioramas sobre Dom Casmurro, um jogo de tabuleiro inspirado em O Guarani e estudantes caracterizados com trajes indígenas aproximaram a literatura do público. A programação foi completada por palestras, entre elas uma sobre agricultura familiar, e por apresentações musicais de projetos estudantis premiados localmente.

No palco, espetáculos de teatro e dança, com figurinos de época e jogos de luz em verde, rosa e azul, trouxeram ao evento a dimensão artística e cultural dos projetos, que unem arte e conhecimento.
Ao integrar ciência, empreendedorismo e conhecimentos jurídicos, a FECEJ reforça a proposta de uma formação técnica conectada à realidade do campo e da sociedade, o que se comprova pela abertura do evento ao público em geral. Em sua terceira edição, a feira consolida-se como espaço em que estudantes, professores, direção escolar, funcionários e comunidade se encontram para aprender, criar e transformar ideias em ações. As primeiras edições ocorreram respectivamente em 2024 e 2025.
Por: Jaciel Correia


























